Falta de investimento na Segurança Pública

//Falta de investimento na Segurança Pública

Para muitos policiais, a Segurança Pública deveria estar entre as prioridades de qualquer governante. Só que, no Estado do Rio de Janeiro, a cada ano os investimentos nessa área ficam piores. O descaso, segundo eles, é o principal motivo que leva a categoria sentir na pele o desgaste da profissão. Aqueles que residem em municípios do interior, como Barra Mansa, Pinheiral, Porto Real, Resende e Volta Redonda e que estão lotados nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) da capital, são os que mais sofrem por enfrentarem o perigo do dia a dia sem nenhuma estrutura para trabalhar.

Para a matéria desta edição, a reportagem do A VOZ DA CIDADE ouviu dezenas de policiais da região que atuam nas UPPS implantadas em morros diversos do Rio. Foram ouvidos também alguns prefeitos que pretendem solicitar a transferência desses policiais para os batalhões da região. Os problemas desses militares vão da falta de recurso para o transporte, alimentação e o espaço para permanecerem durante os dias de trabalho.

Os policiais garantem que a reclamação não é só pelo fato de trabalharem nas UPPs, mas sim o descaso como são tratados no dia a dia. Explicam que as queixas não querem dizer que eles estão com medo de enfrentar bandidos, mas a maneira que eles são obrigados a ir para a ‘guerra’ contra os marginais. Garantem que há uma insatisfação atuar nas UPPs localizadas nas favelas do Rio, comandadas pelos traficantes. São centenas de agentes, mais de dois mil, segundo estimativas, que estão lotados nessas Unidades. Cerca de 35% da tropa está insatisfeita com o tratamento que recebe. Eles lembram que prestam concurso para a Polícia Militar sonhando em atuar em prol da segurança das pessoas, mas quando começam a trabalhar, sentem logo de cara o descaso. É o que acontece com os quase 140 policiais que atuam em uma das UPPs do estado.

AJUDA PARA O TRANSPORTE

Muitos desses PMs são obrigados a sair de casa um dia antes para pegar no serviço, pois como a ajuda de custo para o transporte é somente de R$ 100, a maioria tem que garantir carona. “Ganho R$ 100, pago duas passagens, ida e volta, cada uma no valor de R$ 45. No dia seguinte, só tenho R$10. Para o restante do mês, sou obrigado a conseguir chegar ao trabalho pedindo carona ou pagando do meu bolso. E quando não consigo nenhum e nem outro, me apresento no BPM local. Mesmo assim, corro o risco de ser punido por não ter trabalhado”, contou um dos policiais residentes em Barra Mansa, que preferiu não se identificar.

Outro fator agravante é que para conseguir carona, os PMs devem estar fardados. Mesmo assim, na maioria das vezes, à noite ou durante as madrugadas, os motoristas não gostam de dar carona. Sendo assim, de acordo com os PMs, eles ainda correm o risco de serem atacados por bandidos. Outro PM, residente em Barra Mansa, ainda ressaltou que de ônibus chega a levar duas horas e meia para chegar à UPP onde atua. Só que, pela falta de recurso para o transporte, tem que ir um dia antes para o plantão de 24 por 72 horas. E ainda tem o problema da alimentação. Ou pagam do próprio bolso ou pedem na casa de amigos ou conhecidos. “Vivemos sempre assim, se não temos como arcar com as despesas, temos que contar com a boa vontade de terceiros”, reclamou outro policial, residente em Volta Redonda.

EFETIVO INSUFICIENTE

Os PMs lembram que na maioria dos batalhões do interior o efetivo não é suficiente para fazer o trabalho de segurança nas cidades abrangentes. Em algumas delas, segundo os policiais, a criminalidade vem aumentando consideravelmente, como em Barra do Piraí, Barra Mansa, Volta Redonda e Resende, áreas onde estão o 10º BPM, com sede em Barra do Piraí, 28º BPM – Volta Redonda – e 37º BPM – Resende.

Os policiais garantem que mesmo com o efetivo baixo nos batalhões da região, homens não faltam se não tivessem que atuar nas UPPs da capital. “Com esses batalhões aqui na região e com o grande número de policiais que prestaram concurso, a criminalidade nos municípios poderia estar controlada. Policiais têm, mas não são aproveitados aqui”, declarou outro PM de Volta Redonda, lembrando que, com a morte recente do soldado André de Jesus da Silva, de 36 anos, que também morava na Cidade do Aço, a preocupação é ainda maior pela falta de estrutura para a PM trabalhar. Andre foi baleado em uma ação na UPP da Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio.

O governador Luiz Fernando Pezão, garantiu que o projeto das Unidades de Polícia Pacificadoras vai continuar. A Secretaria de Segurança Pública do Estado foi procurada pelo A VOZ DA CIDADE para falar sobre o assunto, mas até o fechamento desta edição não havia respondido. O novo comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, coronel Wolney Dias Ferreira, que tomou posse no último dia 25, garantiu que vai fazer um estudo para remodelar as UPPs.